INTRODUÇÃO...
Todos
nós, agentes do mercado, passamos grande parte do nosso tempo
nos perguntando se os preços vão subir ou vão cair.
Quando questionamos a tendência de um certo ativo estamos partindo
do princípio que o mesmo é previsível e que, portanto,
segue padrões comportamentais.
Duas correntes dividem as opiniões dos
que se dedicam a estudar o assunto.
A primeira defende a idéia de que os
mercados têm comportamentos aleatórios, sem ordem e sem
padrão, e seu comportamento futuro não tem nenhuma ligação
com o presente ou com o passado.
A segunda corrente prega o oposto. O mercado
não é aleatório e, muito menos, imprevisível.
Através da análise de dados passados, podemos identificar
padrões de comportamento que nos possibilitam prever os próximos
passos do mercado.
Se obrigado a escolher entre uma corrente e
outra, ficaria com a segunda. Sim, os preços seguem um padrão
comportamental, o que faz do mercado um fenômeno previsível.
Acrescentaria, no entanto a esta corrente, um
fator de imprevisibilidade. Os padrões comportamentais passam
ciclicamente por um processo de mutação, adicionando em
alguns momentos ao fenômeno mercadológico, um componente
randômico e aleatório, sem ordem ou lógica.
Afirmar que o mercado se alterna entre fenômenos
previsíveis e imprevisíveis não é contraditório,
é verdadeiro.
Quando 100 % dos agentes têm igual nível
de consciência, ou o padrão se extingue ou se realiza sem
que ninguém consiga se posicionar.
Em um mercado aonde todos têm as mesmas
informações ao mesmo tempo, e ainda, igual capacidade
de interpretação das mesmas, todos os agentes passariam
a atuar no mesmo momento e do mesmo lado. Se o consenso for de compra
não haverá vendedor, se de venda não haverá
comprador. O mercado não existiria.
Antes de chegarmos a uma conclusão definitiva
vamos sair por pouco tempo do mercado para irmos às origens,
aos fenômenos.
Um fenômeno se torna previsível
quando um evento se repete, estabelecendo um padrão de comportamento.
A previsibilidade de um fenômeno está
diretamente ligada à consciência.
A
Consciência
O
mercado é formado por agentes, seres humanos. Os preços
não têm propulsão. Analisar comportamentos, ainda
que refletidos nos preços, desprezando a natureza humana é
desvincular a causa do efeito.
O poder da consciência permite ao ser
humano analisar, questionar, experimentar, explicar e atuar nos fenômenos,
transformando-os.
A consciência diferencia a forma com que
o homem interage com o Universo.
A consciência nos permite evoluir. Dedicamos
grande parte do nosso tempo tentando explicar os fenômenos que
nos cercam.
Um fenômeno se torna previsível
quando os agentes se conscientizam de certo padrão.
Explicar
é poder, poder prever
O
processo de conscientização é cíclico e passa
por fases. A primeira fase é a de observação. A segunda
é a de questionamento, na qual temos por objetivo tentar explicar
os fenômenos. Quando identificamos no Universo um evento que se
repete, conseguimos explicar o seu comportamento. Quando um fenômeno
se torna explicável passa a ser previsível.
A partir desse ponto passamos a atuar procurando
nos antecipar a um comportamento futuro, interferindo no fenômeno.
Quando não explicamos também atuamos,
pois a inter-relação do ser com o Universo é contínua.
Nesse caso a atuação é defensiva. Sem o domínio,
procuramos preservar o status atual ou o de menor perda.
Tendência
Duas
premissas básicas nos permitem avaliar a existência ou não
de tendência em certo fenômeno:
- que
exista um padrão comportamental;
- que
os seres que integram no evento tenham consciência desse padrão.
A
natureza nos fornece, com simplicidade, alguns exemplos que justificam
esse raciocínio. Vamos pensar nas estações do ano.
Nos primórdios, os seres não tinham consciência de
um ciclo que se alternava entre diferentes e características condições
climáticas. Com o passar do tempo o homem começa a perceber
que, em certa época, o calor é mais intenso e chove mais,
em outra que é mais frio e mais seco, logo em seguida, as folhas
secam e caem e, finalmente, em outra fase as árvores florescem
e frutificam.
Com a consciência de que esses característicos
eventos se repetiam classificou esses padrões como estações
climáticas. A cada complemento do ciclo com as quatro estações
chamou de ano. Observando e praticando, percebeu que em toda estação
chuvosa a produtividade de suas plantações era maior. Passou
a plantar nas chuvas.
Deu-se conta também de um ciclo menor e repetitivo
que se alternava entre luz e falta de luz na natureza. Dividindo esse
ciclo menor em 24 períodos, chamou-o de dia. Percebeu ainda que,
dentro de cada ciclo que chamou de ano, ocorriam aproximadamente 360 ciclos
chamados de dia. Mais tarde verificou que, acima do ciclo anual estava
o ciclo solar, um novo sistema, com novos padrões e mais abrangente.
Todo nosso padrão de medição de tempo está
ligado a comportamentos encontrados na natureza.
Tudo que se repete tende a acontecer de
novo, tornando-se previsível. É também no passado
que encontramos os ingredientes de previsibilidade.
Com o passar dos anos o homem passa a ter maior
consciência de novos padrões. Quanto maior o nível
de consciência, maior segurança sentimos em prever. A crescente
possibilidade de acerto no comportamento futuro de um certo fenômeno
tem como conseqüência direta um maior nível de intervenção
dos seres.
Esta incessante e natural procura por um melhor “estado
de convivência” amplia os horizontes diversificando os interesses,
aumentando assim a complexidade nas relações.
Surge a necessidade de organização das
novas idéias. O homem começa a classificar o saber por assunto,
dando origem às ciências.
A Matemática descobre a unidade, a Química,
o indivisível. A História procura padrões que justifiquem,
acertadamente, as conseqüências no presente de comportamentos
passados.
A Medicina preocupa-se com o corpo criando elementos
que, repetidamente, estanquem processos maléficos à saúde
preservando a vida, enquanto a repetição da cura se confirma.
Ciência:
nome genérico que se dá às especializações
da consciência.
Seja
lá qual for o foco, o ser humano vive procurando padrões
e tendências no Universo. Ao identificá-los atua com a convicção
de que, comportamentos passados se repetirão no futuro.
O
Processo Evolutivo e seus mistérios
A
evolução acontece quando o ser humano, ao compreender um
fenômeno, interage com saber. Esse processo é contínuo.
A cada nova descoberta surgem novos questionamentos, novo saber, e assim
evoluímos...
O mistério da evolução não
se concentra apenas na descoberta de novos fenômenos que o homem
ainda não domina. Novas intervenções em função
de um novo saber, causam diferentes reações em fenômenos
já dominados, transformando-os.
O domínio na agricultura aumenta as áreas
cultiváveis substituindo a vegetação pré-existente,
eliminando desta forma, ingredientes que contribuíam para as condições
climáticas anteriores à intervenção. O Universo
se adapta tendo como resultado a alteração do clima padrão.
A Medicina está repleta de eventos desse
tipo. Ao identificar a cura para certa doença, o homem percebe
que após algum tempo os remédios param de fazer efeito.
O Universo “contra-ataca”, desenvolvendo
defesas, buscando anular ou se adaptar aos efeitos da intervenção
humana.
O
padrão comportamental passa por um processo de mutação
randômica.
A
mutação de um padrão comportamental
Dois
fatores contribuem para a mutação de um padrão comportamental.
Quando o homem interfere, o Universo reage procurando
anular os efeitos da intervenção.
Por outro lado, a intervenção humana
modifica as condições pré-existentes nos fenômenos.
Sob novas condições o Universo passa a ter novas características,
desenvolvendo novos comportamentos. Quanto maior for a modificação
dos elementos anteriores em função da intervenção,
maior será a mutação do padrão e vice-versa.
O grau de intervenção dos agentes
está ligado diretamente ao grau de conscientização
de um certo padrão. Quanto mais disseminada for a consciência,
maior será a quantidade de agentes atuando, procurando antecipar
um comportamento futuro. O padrão passa por uma mutação
randômica, tornando o fenômeno novamente imprevisível.
Conclusão:

A
ocorrência de padrões de comportamento no Universo nos permite
explicar os fenômenos tornando-os previsíveis.
Por outro lado, o desconhecido somado à
mutação dos padrões já identificados impossibilita
em alguns momentos, que o ser humano possa avaliar o futuro.
Nossa relação com o Universo é
contínua e se alterna entre fenômenos previsíveis
e imprevisíveis.
-
A inter-relação entre o ser e os fenômenos faz parte
do processo natural do desenvolvimento.
-
Não existe fenômeno definitivo.
-
Não existe ciência que explique definitivamente um evento.
Tendência
em Mercados de Risco
Todo
o mecanismo de inter-relação entre o ser e o Universo se
repete nos diversos fenômenos dos quais participamos.
Nos mercados de risco, antecipar-se a um comportamento
futuro é a chave do sucesso.
A atuação dos agentes nos mercados
é determinada por um processo cíclico.

Pois
cíclico é o processo de conscientização e
de formação de expectativas.
Os
Agentes
A
atuação dos agentes é determinada pelo nível
de conscientização dos fatores fundamentais que vão
afetar o valor futuro de um ativo, e segue uma escala.
No topo da pirâmide encontramos um menor
número de agentes com maior nível de conscientização,
sendo que no oposto, na base da pirâmide, encontramos uma grande
quantidade de agentes com o menor nível de conscientização

Do
topo para a base da pirâmide diminui o nível de conscientização
e aumenta a quantidade de agentes.
O mecanismo de formação de expectativa
influencia diretamente o “timming” de entrada dos agentes
no mercado e, por conseqüência, as três características
fases de uma tendência padrão.
No entanto, a informação não
é tudo nos mercados de risco. Aqui também se repete o processo
de concentração e acumulação de renda.
- A capacidade individual do agente de influenciar
o mercado não depende só de seu nível de conscientização
dos fatores fundamentais ou de sua expectativa.
-
A capacidade individual dos seres de transformação do Universo
é sempre relativa.
-
É uma relação entre a capacidade individual de influência
do ser, versus o tamanho do Universo no momento em que o ser vai intervir.
A
"ponderação" das expectativas
A
Análise Técnica tradicional peca ao procurar objetivar a
expectativa que prevalece através de indicadores, os quais trazem
na sua lógica o comportamento isolado dos preços.
As
expectativas geram posições que desequilibram os preços,
que por sua vez oscilam.
Os
agentes atuam no mercado após o processo de formação
de expectativa.
A atuação dos agentes tem conseqüências
indiretas nos preços, cujo comportamento é resultado direto
das expectativas refletidas no tamanho do desequilíbrio entre as
posições efetuadas e realizadas.
O nível de consciência, somado ao
tamanho das posições individuais é o principal fator
que diferencia os agentes. Esse processo é circular, ou seja, quanto
maior o nível de consciência, maior o poder de se antecipar
a um comportamento futuro e, portanto, maior a acumulação
de lucros e de posições concentrados em um pequeno grupo
de agentes.

Nos
mercados de risco esse mecanismo faz com que os preços sigam a
direção das expectativas dos agentes que detém a
capacidade de desequilibrar o mercado.
-
Analisar a tendência de um mercado é ponderar expectativas,
identificando a que prevalece entre os diversos agentes.
-
Acertar a tendência de um mercado é identificar a expectativa
que prevalece entre os agentes formadores de preço, ou melhor,
aqueles que detém a capacidade de desequilibrar o mercado.
Influência
dos agentes no mercado
Todo
e qualquer posicionamento sempre vai causar um desequilíbrio de
preços, tanto no presente quanto no futuro. A influência
dos agentes no presente é determinada pelo quanto os agentes necessitam
desequilibrar os preços para conseguir se posicionar (fase de formação
de expectativas). A influência do posicionamento presente no comportamento
futuro de preços será determinada em função
do quanto os agentes terão que desequilibrar os preços para
sair de suas posições (fase de esvaziamento de expectativas).

-
Os
preços sobem por novas compras ou por zeração
de vendidos
-
Os
preços caem por novas vendas ou por zeração de
comprados
-
Os
preços não oscilam por falta de posicionamento, ou por
equilíbrio de forças no posicionamento, ou na zeração,
em certo nível de preços.
Para
cada contrato de risco fechado, sempre haverá um comprador e um
vendedor. A expectativa que prevalece é indicada pela direção
dos preços. A direção do
mercado determina a intenção do agente que está desequilibrando
os preços em função de sua expectativa. Os agentes
pressionam o mercado até que,em certo nível de preços,
consigam satisfazer suas necessidades de posicionamento.
O que desequilibra o mercado não é
a quantidade de agentes, mas sim o tamanho das posições
individuais.
A pressão que um agente imprime aos preços
é uma relação entre o tamanho de sua posição,
ponderada ao tamanho do mercado no momento em que o agente vai atuar.
Quanto maior o tamanho do mercado, menor a influência
individual e vice-versa.
Fases
de uma tendência padrão
Podemos
identificar três características fases no ciclo de formação
e de esvaziamento de expectativas. A primeira fase é determinada
pela formação de expectativas e de posições
por parte dos grandes agentes. A fase inicial é caracterizada pela
abertura de posições, e por conseqüência, de
maior volatilidade de preços e maior volume. Nessa fase o movimento
de preços tem maior consistência na direção
da expectativa que prevalece.
Assim que os grandes acabam de se posicionar,
a conscientização dos fatores fundamentais vai se disseminando
seguindo uma escala crescente em relação ao número
de agentes e decrescente em relação ao tamanho das posições
individuais. Nessa fase, a segunda de uma tendência padrão,
o mercado tem como característica principal uma menor oscilação
nos contratos em aberto e, por conseqüência, menor volatilidade
de preços e baixo volume.
Na terceira e final fase de uma tendência,
os fatores fundamentais se tornam de domínio público. A
massas se conscientizam. Uma grande quantidade de pequenos agentes se
posicionam do mesmo lado e na mesma hora no mercado. Atuando normalmente
no sentido oposto ao indicado pelos fatores de domínio público,
os grandes agentes aproveitam a liquidez gerada pelo posicionamento dos
pequenos e zeram suas posições, indicando o esvaziamento
de expectativas e o final da tendência.

-
Na
maioria das vezes o agente formador de preços atua na ponta
oposta aos fundamentos de domínio público e, portanto,
contrário ao comportamento das massas.
-
Essa
estratégia propicia aos grandes agentes uma oportunidade de
entrar e sair do mercado sem que, para tanto, tenham que desequilibrar
os preços.
-
A
liquidez gerada no mercado, nos movimentos de euforia das massas,
é fator determinante para a atuação dos grandes.
Os
mercados futuros e a expectativa
Os
mercados futuros, incluindo os de opções sobre ações
e opções sobre futuros, oferecem aos agentes ao mesmo tempo
uma oportunidade de proteção e alavancagem, principalmente
com liquidez.
Reunindo essas três qualidades os mercados
futuros se tornaram o primeiro instrumento de acesso quando os agentes
necessitam se posicionar em função de mudança ou
reforço de expectativa.
No entanto, quando um ativo passa a ser objeto
de um mercado futuro, seu preço passa a ter um comportamento determinado
por fatores conjunturais e fundamentais, somados ao fator de desequilíbrio
de posições no mercado futuro do qual o ativo é objeto.
É
no mercado futuro que encontramos os primeiros e principais sinais de
mudança ou de reforço de expectativas.
O
sucesso dos mercados futuros, em função da vasta liquidez
atingida, está ancorado nos instrumentos que o proporcionam, mas,
mais do que isso, os mercados futuros quando registrados em bolsas, oferecem
também transparência à forma como os agentes se posicionam.
As bolsas de futuros e de opções
publicam diariamente vários dados sobre os mercados negociados.
Abertura, fechamento, máximo, mínimo, volume negociado e
contratos em aberto. A grande maioria dos instrumentos encontrados na
Análise Técnica é baseada na variação
dos preços, e uma pequena parte na combinação entre
preço e volume.
Pesquisando, acabei isolando uma variável
muito pouco explorada na Análise Técnica: Contratos em Aberto.
Durante alguns anos acumulei exemplos que me possibilitam, hoje, estabelecer
uma ligação muito próxima entre expectativa, posicionamento
e comportamento futuro de preços.
Todos
os modelos de precificação de ativos “empacam”
quando procuram isolar, em suas equações, o “fator
expectativa”. A expectativa é um ingrediente humano e, por
natureza, mutável. A subjetividade delimita a fronteira do consciente
com o inconsciente.
Os
modelos de precificação de ativos
Existe
um misterioso abismo entre o que queremos, o que tentamos e o que conseguimos
explicar.
Divulgar novos indicadores prometendo uma ferramenta
infalível seria a contradição do princípio
e, portanto, uma promessa ilusória.
O
grau de consciência pessoal, também no mercado, é
o fator determinante para o sucesso individual de seus agentes.
A
consciência faz com que o ser humano passe, ciclicamente, por um
processo de mutação em seus padrões comportamentais,
evoluindo...
Sem nenhuma pretensão matemática
o estudo pretende contribuir diminuindo a distância entre eventos
objetivos e subjetivos, característicos dos mercados de risco.
A pretensão desse estudo concentra-se em
fornecer uma nova ferramenta focalizada no “fator expectativa”,
através da conscientização dos padrões de
posicionamento dos agentes formadores de preço no mercado.
O
agente formador de preços
A
tendência primária de um ativo é aquela que prevalece
no posicionamento do agente formador de preços, ou melhor, aquele
que tem a capacidade de desequilibrar o mercado.
Devemos ponderar as oscilações de
preços em função do posicionamento que o originou
e, desta forma, desprezar movimentos do mercado que não representem
o comportamento do agente formador de preços.
Alguns analistas afirmam que o comportamento dos
preços reflete toda a expectativa dos agentes e, portanto, a análise
do volume e de contratos em aberto não se justifica. Esse é
o grande erro da analise técnica tradicional.
Como já dissemos, a capacidade de desequilibrar
o mercado é sempre relativa. É sempre uma relação
entre o tamanho da posição do agente, versus o tamanho do
mercado no momento em que o agente vai atuar.
Vamos pensar na segunda fase de uma tendência
padrão. Essa fase começa logo após os grandes agentes
terminarem seu posicionamento. Assim que os grandes pararem de atuar,
o tamanho do mercado diminui, e nesse momento a atuação
de menores agentes imprime aos preços comportamentos característicos
de reversão. Na segunda fase, é comum encontrarmos movimentos
de preço contrários à direção da tendência
primária, que não representam uma mudança de expectativa
por parte do agente formador de preços. O poder de desequilibrar
o mercado dos pequenos e médios agentes aumenta naturalmente nessa
fase, não porque eles cresceram, mas porque o mercado está
menor. Assim que os grandes voltam ao mercado, os preços retomam
sua direção primária.
Variações
no posicionamento diário
São
inúmeras as variações de expectativa, refletidas
no posicionamento diário, ainda que os preços mantenham
o mesmo padrão.
Os dois quadros seguintes tratam de diferentes
situações onde encontramos grande variação
positiva nos contratos em aberto. Grande variação positiva
no posicionamento representa sempre reversão ou reforço
de expectativa.
Representam início do movimento, se com
os preços na direção contrária a anterior,
e reforço do movimento se os preços mantiverem a direção.
Em tendência de alta:

Em
tendência de baixa:

Se
por um lado uma grande variação positiva no posicionamento
representa uma reversão ou reforço de expectativa, por outro
lado, uma grande variação negativa nos contratos em aberto
representa o esvaziamento das expectativas. (próximo quadro)
Seja por conscientização de novos
fatores fundamentais, seja por satisfação nos lucros obtidos
na posição, ou ainda por realização de prejuízos,
esse comportamento tem algumas variações específicas
que serão objeto de detalhamento no decorrer desse estudo. Como
regra geral devemos ter em mente que, de qualquer forma, sempre representa
o fim do movimento primário do mercado em função
do expressivo esvaziamento das expectativas, e por conseqüência,
das expressivas liquidações no posicionamento diário.
Em tendência de alta ou de baixa:

No
quadro acima, o termo “Possível início de tendência
de baixa, ou de alta”, não representa apenas uma variável
condicional, o que poderia invalidar o sentido do raciocínio.
Quando observamos uma zeração em
grande escala, podemos afirmar que o desequilíbrio dos preços,
fundamentado na expectativa que se esvaziou vai terminar. Normalmente
esse comportamento se mescla com novas posições na direção
oposta a que os preços vinham seguindo. Esta é a diferença
entre o fim e a reversão das expectativas.
Algumas vezes, no entanto, o mercado encerra um
capítulo e inicia outro, com os preços seguindo na mesma
direção. São dois movimentos distintos, ainda que
o desequilíbrio aponte para o mesmo lado. Esse importante ingrediente
expectativo poderia passar desapercebido na análise isolada dos
preços.
No próximo quadro nos deparamos com um
comportamento não muito comum, mas perigoso em termos de expectativa.
O equilíbrio ou pouca oscilação
nos preços, normalmente não representa grande sinal em termos
de expectativa. Normalmente os preços não oscilam por falta
de posições.
Algumas vezes, no entanto, o mercado não
oscila por equilíbrio entre grandes posições opostas.
Como os preços não oscilam, não conseguimos identificar
a expectativa que prevalece, mas devemos ter em mente que se aproxima
uma fase de definição, e mais, após a definição,
o movimento de preços será alavancado pela zeração
da ponta perdedora.
Aqui podemos ainda analisar duas situações
diferentes. Se os preços não oscilam, mas percebe-se grande
variação nos contratos em aberto logo após o final
de uma tendência, temos o sinal de que uma nova tendência
está nascendo.
O mesmo comportamento pode ocorrer como sinal
de reforço de expectativa. Nesse caso a alavancagem posterior será
maior, pois o mercado já estava posicionado e agora vão
se somar às novas posições, o que adicionará
maior desequilíbrio futuro na zeração.

Estrategicamente
esse comportamento requer algum cuidado. Devemos diminuir a posição
ou ficar fora até o momento da definição. O aumento
da posição ou a entrada no mercado terá maior chance
de acerto quando pudermos visualizar para que lado será o desequilíbrio
causado pela zeração da ponta perdedora. O “inchaço”
do mercado é sempre um componente de alavancagem futura de preços.
Novamente verificamos um comportamento muito importante,
refletido no posicionamento, mas não identificável no movimento
dos preços.
Em tendência de alta ou de baixa:

Grande
variação de preços com pequena variação
de contratos em aberto, normalmente reflete uma reação do
mercado à notícia inesperada e de rápido domínio
público.
Quanto maior o consenso do mercado em relação
à direção dos preços, maior dificuldade os
agentes encontram para se posicionar ou sair de suas posições.
Sem conseguir se posicionar, os agentes desequilibram os preços
até um novo ponto de equilíbrio.
Uma exceção pode ser encontrada
quando em certo dia verificamos grande variação de preços
na fase dois de uma tendência. Como já falamos, nessa fase
o tamanho do mercado está menor e, portanto, cresce o poder relativo
de desequilibrar o mercado dos pequenos e médios agentes. É
o falso agente formador de preços. O peso do fator expectativa
nesse tipo de oscilação deve ser menor.
De qualquer forma, o fato de ocorrer uma expressiva
oscilação nos preços, ainda que não acompanhada
de grandes posições, nos alerta para uma mudança
na relação entre ganhadores e perdedores no mercado. Quanto
mais os preços andam, mais crescem os lucros e os prejuízos
entre os agentes. É sinal que pode se aproximar uma expressiva
realização causada por satisfação daqueles
que estão no lucro, ou limite daqueles que estão no prejuízo.
Quanto mais antiga for a tendência, maior a possibilidade da realização
ocorrer.
Em tendência de alta ou de baixa:

Pouca
oscilação de preços com pequena variação
no posicionamento não representa nada em termos de expectativa.
Quando ocorre após dia de grande oscilação
de preços, pode demonstrar um momento de pausa do mercado para
assimilar os novos níveis de preço. Isso ocorre quando a
velocidade de conscientização do mercado não acompanha
a velocidade de oscilação de preços. Nesse caso,
ou os agentes rejeitam os novos níveis de preço ou os preços
passam alguns dias em equilíbrio, até que os agentes elaborem
os novos fatores fundamentais, refletidos nos novos níveis de preço.
Aprofundando expectativas
Algumas
variações de expectativa por parte dos agentes nos mercados
merecem destaque. Novas posições com os preços subindo
refletem o início ou o reforço de uma tendência de
alta. Novas posições com os preços caindo refletem
o início ou reforço de uma tendência de baixa. Esses
padrões não explicam a totalidade dos comportamentos encontrados
nos mercados de risco, são apenas básicos.
O processo de reversão da expectativa de
baixa tem início quando os vendidos aproveitam a queda de preços,
normalmente motivada por notícia de domínio público,
para saírem de suas posições.
Uma tendência de alta começa com
os preços ainda em queda. A tendência de baixa começa
com os preços ainda em alta.
As
expectativas, refletidas na forma como se dá o posicionamento dos
agentes, antecipam a conscientização do comportamento futuro
dos preços.
Quando
o cenário conjuntural permite, o agente formador de preço
aproveita a oscilação a seu favor para zerar sua posição.
Neste caso os preços oscilam com menor velocidade. A direção
da oscilação dos preços perde consistência.
As oscilações dos preços,
quando acompanhadas de zeração no posicionamento diário
têm ramificações.
Quando conseguimos identificar a expectativa do
agente que está determinando o comportamento dos preços,
podemos estabelecer parâmetros de potencial e de velocidade da oscilação
futura dos preços.
A consistência no tamanho e na velocidade
de oscilação dos preços é maior quando a intenção
da zeração é a do agente que está no prejuízo.
Quando o lado perdedor “joga a toalha”, o próximo nível
de equilíbrio dos preços será determinado pela ponta
ganhadora. Quando os preços oscilam com consistência e velocidade,
nenhum grande e novo grupo substitui o grupo perdedor já posicionado.
Ocorrências típicas

- Os
Indicadores de expectativa
- Identificando
o agente formador de preços
- Ansiedade,
velocidade e concentração de expectativas
- Saldo
de expectativas
- A
rolagem diária das expectativas
- A
rolagem mensal das expectativas: o “switch”
- O
break-even das expectativas
- Afunilando
expectativas
- Quantificando
expectativas
- O
patamar das expectativas
- A
expectativa por grupo de agentes
Identificando
o agente formador de preços
O
primeiro sinal da presença do agente formador de preços
é dado pelo tamanho das posições e zerações
efetuadas no mercado. Quanto maior o posicionamento, maior desequilíbrio
os agentes impõe aos preços.
O tamanho das posições está
ligado à capacidade individual dos participantes, mas varia em
função do grau de expectativa dos mesmos e de sua convicção
com relação ao comportamento futuro dos preços. Quanto
maior a convicção, maior a possibilidade dos agentes intervirem
no mercado com o maior potencial individual de posicionamento e vice-versa.
O posicionamento pode ser medido através
da variação nos contratos em aberto. Em alguns casos, quando
o mercado passa por fase de grande oscilação, o melhor parâmetro
para se medir o posicionamento é o do valor financeiro das variações.
Quando um ativo sobe ou cai muito, os agentes diminuem ou aumentam o valor
nominal das posições, procurando manter o valor absoluto
das posições e de risco.
Devemos ter sempre em mente que o posicionamento
atual causa desequilíbrio para os preços no momento da sua
efetivação e, no entanto, reserva um futuro desequilíbrio
de preços quando os agentes forem obrigados a zerarem suas posições.
Ansiedade,
velocidade e concentração de expectativas
Alguns
fatores diferenciam a forma como os agentes se posicionam no mercado em
função de sua expectativa. Em situação de
normalidade os grandes agentes procuram se posicionar, causando o menor
desequilíbrio possível aos preços. O posicionamento
padrão é cíclico. Inicia com menores posições,
é crescente no decorrer de alguns dias e volta a cair, determinando
o fim do processo.
A forma como os agentes se posicionam denuncia
a importância dos fatores que contribuiram para a formação
das expectativas. Antes de se posicionar, o agente formador de preços
avalia, em primeiro lugar, o tamanho do impacto que o fundamento causará
e, em segundo lugar, em quanto tempo o fundamento irá impactar
o mercado.
Notícias de grande impacto e de rápido
domínio público apressam o posicionamento dos agentes. Quanto
maior a proporção entre o entesouramento de posições
dentro do universo de oferta diária, maior a ansiedade dos agentes
em entrar rapidamente no mercado e, por conseqüência, maior
a importância do fator fundamental que está gerando o posicionamento.
Podemos encontrar outra indicação
importante de ansiedade na relação entre o tamanho do posicionamento
e o tamanho do desequilíbrio de preços. Quando
os agentes resolvem entrar no mercado, desequilibram os preços
até conseguirem satisfazer suas necessidades de posicionamento.
Quanto maior a relação, maior a ansiedade, principalmente
se a mesma aumentar na fase da tendência em que os agentes já
estão posicionados.
Além do posicionamento diário, encontramos
ainda outros indicadores da presença do agente formador de tendência.
Quando identificamos um incremento no valor médio do posicionamento
por negócio fechado, identificamos por tabela a presença
do agente formador de preços.
Todos os agentes mantêm uma quantidade máxima
de posicionamento. A somatória das posições individuais
determina o universo de expectativas do mercado. Quando analisamos as
posições diárias devemos compará-las com a
média de posições características de cada
mercado. Outro parâmetro, no entanto, encontramos quando comparamos
as posições diárias ao Universo de posições
do mercado. Quanto maior forem as posições diárias
comparadas ao Universo, maior o poder relativo do agente em relação
ao mercado.
Saldo
de expectativas
Os
indicadores da atuação do agente formador de preços
no mercado, seja pelo tamanho da posição, pela ansiedade,
velocidade ou concentração no posicionamento, podem ser
resumidos em indicadores de saldo. Através desses indicadores podemos
perceber se o agente formador de preços está mais presente
nos movimentos de alta ou de baixa do mercado.
A
rolagem diária das expectativas
A
forma como o posicionamento diário se distribui entre os diversos
meses de negociação também nos indica se a expectativa
dos agentes é ascendente ou descendente.
Normalmente a expectativa do mercado se concentra
em um certo mês, o de maior liquidez. Quanto maior a expectativa
maior será a distribuição das posições
nos meses mais longos e com menor liquidez. A convicção
que um agente sente em relação a sua expectativa, faz com
que o mesmo sinta maior segurança para alongar suas posições
no tempo, no futuro.
No mercado de opções o comportamento
se repete. Nas opções, a expectativa de alta se confirma
com o crescente posicionamento nas séries com preço de exercício
fora do dinheiro. Quanto maior a expectativa de alta maior será
a demanda por opções de exercício alto e com prêmio
baixo. Esse processo é dinâmico, onde verificamos que a mudança
de patamar do posicionamento antecede a mudança no patamar dos
preços.
Ao transferir suas posições das
opções mais dentro do dinheiro para as opções
mais fora do dinheiro, os agentes trocam opções de prêmio
maior por opções de prêmio menor, diminuindo o risco
da posição e aumentando a alavancagem em função
do fator delta. Se, em certo caso, a velocidade de crescimento de posições
nas opções fora do dinheiro for maior do que a velocidade
das zerações nas opções dentro do dinheiro,
temos um grande sinal de reforço de expectativas.
O mesmo raciocínio se confirma quando,
em função de expectativa de baixa, os agentes iniciam novas
posições nas opções mais dentro do dinheiro.
Nesse caso, no entanto, o padrão é não verificarmos
zeração equivalente nas opções fora do dinheiro.
O agente formador de preço prefere esperar
as opções em que já se encontrava vendido virarem
“pó”. A proporção entre encerramento
e abertura de posições é menor.
A
rolagem mensal das expectativas: o “switch”
Os
mercados futuros, e de opções, espelham claramente as três
características fases de uma tendência padrão. A cada
novo vencimento nos deparamos claramente com as fases de posicionamento,
assimilação e realização de posições.
Nos mercados futuros o posicionamento dos agentes
se diferencia radicalmente dos mercados a vista. Nos futuros, os direitos
e obrigações vencem, ou melhor, os agentes são obrigados
a rever suas expectativas a cada vencimento, para então se reposicionarem
no mês que está nascendo.
Como regra geral, verificamos que na fase de rolagem
das posições do mês que está vencendo para
o mês que está ganhando liquidez, se intensifica o desequilíbrio
de mercado. É durante o “switch” que os preços
mais oscilam.
- Fase
de grandes zerações no mês que está vencendo
e de grandes posições no mês que está nascendo.
- Grandes
zerações e posições desequilibram o mercado.
- Fase
onde os preços mais oscilam.
Quanto
maior for a continuidade da expectativa que prevalece, maiores serão
as posições no mês que está nascendo. Nesse
caso, os agentes aumentam suas apostas.
Não é comum os agentes atuarem com
o seu nível máximo de posicionamento. Os parâmetros
de gerenciamento do capital nos impõem limites mínimos e
máximos, no tamanho do risco, em função da convicção
do comportamento futuro do mercado.
Quanto mais próximos do nível máximo
de posicionamento, maior convicção os agentes estarão
demonstrando e, portanto, maior o peso dos fundamentos que estão
originando esse comportamento.
O processo de esvaziamento de expectativas acontece
quando identificamos no “switch” uma transferência menor
de posições. Nesse caso, os agentes diminuem suas apostas
na direção atual dos preços.
O break-even das expectativas
A
Análise Técnica tradicional se utiliza muito das médias
móveis para detectar níveis de suporte e resistência
nos preços.
Os grandes níveis de suporte e resistência
estão ligados ao preço de custo das posições
dos grandes agentes no mercado. Todos os agentes reagem quando vislumbram
a possibilidade de entrar no prejuízo.
Em tendência de alta o preço de custo
é forte suporte, em tendência de baixa, forte resistência.
Suporte ou resistência potencial indicam um ponto de reação
natural. Mecanismos de defesa são acionados quando o preço
do mercado atinge o preço de custo dos grandes agentes.
O custo do posicionamento determina os trópicos
do mercado. O rompimento desse nível indica um forte reforço
de expectativa, sendo um importante sinal de fragilidade do perdedor na
queda de braços entre comprados e vendidos.
Afunilando expectativas
O
custo da posição do agente formador de preços nos
contratos futuros antecipa importantes níveis potenciais de suporte
ou de resistência.
O comportamento padrão no mercado de opções
sobre futuros ou sobre ações evidencia não só
a direção da expectativa que prevalece, mas também
em que nível de preços as expectativas se concentram.
No mercado de opções, o preço
em que o agente que detém a capacidade de desequilibrar o mercado
está posicionado, indica resistência nas opções
que têm preço de exercício fora das expectativas,
e suporte, nas opções que têm seu exercício
garantido.
Esse processo também é dinâmico.
O custo do posicionamento é limite máximo
de oscilação do preço nas opções fora
do dinheiro, e limite mínimo de oscilação nas opções
dentro do dinheiro.
Os grandes agentes maximizam seus lucros, atuando
na direção primária do mercado, mas também
vendendo expectativas sobre avaliadas, e comprando expectativas sub avaliadas.
Quantificando expectativas
O
tamanho das posições individuais é o principal fator
de desequilíbrio nos preços, no entanto a análise
da quantidade de agentes comprados e vendidos em certo mercado pode nos
auxiliar a prever o comportamento futuro de preços.
No mercado de opções essa análise
no permite identificar em que nível de preços se concentram
as expectativas de exercício para o ativo objeto.
A quantidade de agentes comprados e vendidos no
mercado de opções é crescente dentro do dinheiro.
Para as opções fora do dinheiro, no entanto, a quantidade
de comprados cresce mais do que a quantidade de vendidos.
- Quanto
maior a concentração de posições do lado
do comprador e diluídas do lado do vendedor, maior a possibilidade
de exercício.
- Quanto
maior a concentração de posições do lado
do vendedor e diluídas do lado do comprador, menor a possibilidade
de exercício.
Normalmente
dá exercício as opções que têm uma relação
de 1 para 1 entre comprados e vendidos. Nas opções que estão
fora da expectativa do mercado, a relação é maior
do que 1 e crescente até a opção mais fora do dinheiro.
Nas opções dentro do dinheiro e
dentro da expectativa do mercado a relação é de 1
ou menor, quanto mais baixo for o preço de exercício.
Ao comparar o valor médio das posições
de comprados e vendidos, verificamos que os preços seguem a direção
do agente com maior posição, com pequenas variações
entre movimentos de alta e de baixa do mercado.
Nos movimentos de baixa a posição
média dos vendidos é sempre maior que a dos comprados. Quando
os agentes passam por um processo de reversão de expectativa de
baixa para alta, o valor médio das posições dos comprados
vai aumentando, mas dificilmente supera o valor médio da posição
dos vendidos. Quando o valor se aproxima temos uma indicação
de exaustão do movimento de alta.
O
patamar das Expectativas
No
mercado de opções conseguimos diferenciar posicionamentos
característicos de alta e característicos de baixa. As posições
de alta são decrescentes das opções dentro do dinheiro
para as opções fora do dinheiro. As posições
de venda são decrescentes das opções fora do dinheiro
para as opções dentro do dinheiro.
As posições de alta normalmente
superam as posições de venda até um certo preço
de exercício, e daí para frente passam a ser superadas pelas
posições de venda. Esse preço de exercício
é o ponto onde o mercado se encontra liquidamente comprado. Acima
desse preço de exercício o mercado passa a estar liquidamente
vendido. É nesse preço que se concentram as expectativas
de preço, do ativo objeto para o futuro.
Esse ponto não é fixo. Quando o
sentimento de alta ou de baixa se intensifica, a concentração
de expectativas em certo preço de exercício muda de patamar.
Quanto maior for a mudança de patamar refletida no posicionamento,
maior será a oscilação futura dos preços na
direção da expectativa que prevalece.
A expectativa por grupo de agentes
A
análise de expectativa pode ser estendida ao posicionamento dos
grupos de agentes no mercado. A mudança de expectativa, refletida
no posicionamento dos grupos de agentes pode ser um importante sinal de
futura mudança no comportamento dos preços.
Quando os grupos de agentes estão liquidamente
zerados, temos um sinal de baixa expectativa, e por conseqüência
de pouco desequilíbrio de preços. Quando algum grupo detecta
uma oportunidade de ganho, inicia suas posições elevando
o grau de expectativas do mercado. Automaticamente o preço começa
a andar impulsionado pela demanda de contratos do agente que está
atuando.
Esse movimento se estanca quando os agentes atingem
seu nível máximo de posicionamento, determinando o universo
líquido de expectativas. Logo após inicia-se a fase de zeração
das posições, dando início ao processo de esvaziamento
das expectativas. A direção do preço quando o mercado
começa a realizar suas posições é indicada
pela intenção do agente que está tomando a iniciativa
da zeração.
O acompanhamento do universo de expectativas dos
agentes é muito importante, pois determina seu limite de atuação.
A expansão do universo se dá quando entram novos agentes
no mercado, ou ainda quando os agentes já participantes aumentam
suas posições líquidas em função de
grande reforço ou reversão de expectativas.
Quando podemos identificar um padrão, no
nível máximo de posicionamento líquido, temos uma
excelente indicação toda vez que o mercado se aproximar
dele. Quando os agentes estão no seu limite de posicionamento à
oscilação de preços, a partir desse momento ocorrerá
por zeração.
O termômetro também nos permite ponderar
o potencial da oscilação de preços pelo grau de expectativa
em que se encontra o mercado naquele momento. Quanto maior o grau maior
a consistência na direção dos preços e vice-versa.
Quando verificamos expansão do Universo
líquido acima do nível máximo padrão, temos
uma indicação de maior desequilíbrio futuro dos preços.
Esse desequilíbrio pode ser medido de duas formas. A primeira em
função do tamanho da expansão do Universo, e a segunda
em função da velocidade de expansão do mesmo. O expressivo
aumento do universo já nos avisa que teremos um movimento nos preços
de maior duração.
Quanto mais próximo do nível zero
estiver o grau de expectativas, menor consistência verificamos no
comportamento dos preços. Quando o preço sobe ou cai com
baixo grau de expectativas, está sujeito a mudanças repentinas.
Qualquer posicionamento na ponta contrária pode reverter a direção
dos preços.
Essa análise deve ser aplicada não
só aos modelos de análise de tendência, mas também
aos modelos de gerenciamento de capital e de volatilidade.
Os modelos de gerenciamento de capital não
levam em consideração a posição relativa dos
agentes. Os agentes devem gerenciar o capital, adequando o tamanho da
posição ao tamanho do mercado. Por outro lado, a análise
do Universo líquido de posições nos permite avaliar
a volatilidade futura dos preços.
Conclusão...
A
análise do comportamento futuro do mercado, se focalizada no comportamento
isolado dos preços, não leva em consideração
uma grande variedade de expectativas que determinam a direção,
a consistência e a velocidade da oscilação futura
dos preços.
A forma como se realiza o posicionamento dos agentes
está ligado diretamente as oscilações das expectativas
dos mesmos. Em alguns momentos, preços subindo refletem uma expectativa
de baixa, em outros, preços caindo refletem o início do
processo de reversão das expectativas de baixa.
Iniciei meus estudos nesse assunto em 1984, após seis anos de experiência
trabalhando nos mercados de risco.
Nos mercados futuros encontramos o mais transparente
exemplo da lei da oferta e demanda, refletida nos preços através
da forma como os agentes se posicionam no mercado.
A análise comportamental é sempre
subjetiva, pois leva em consideração ingredientes humanos.
O mercado se alterna entre fenômenos previsíveis e imprevisíveis.
A conscientização no mercado pode ser ampliada através
de indicadores que objetivem a forma como as expectativas de seus agentes
desequilibram os preços, através da forma como se posicionam.
Marcos de Sá Moreira Masagão
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